Suzane Richthofen: por que Justiça a tornou responsável por patrimônio de R$ 5 milhões do tio

  • 06/02/2026
(Foto: Reprodução)
Suzane von Richthofen tem direito à herança do tio? O que diz a lei Entre os fatores que levaram a Justiça a decidir, nesta semana, que Suzane von Richthofen, condenada por mandar matar os pais em 2002, será a única inventariante do espólio de mais de R$ 5 milhões deixados pelo tio, Miguel Abdalla Netto, estão três pontos centrais: as regras do direito sucessório; a falta de interesse do outro possível herdeiro; e a ausência de comprovação de união estável por parte de uma outra interessada. A decisão é da juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões, responsável pelo inventário que vai definir como será administrado o patrimônio do médico, encontrado morto em 9 de janeiro, dentro da casa onde morava no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Suzane e a empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico e que tenta comprovar união estável com ele, travavam uma disputa para assumir a administração dos bens — dois imóveis, um carro e investimentos financeiros. Andreas von Richthofen, irmão de Suzane e também sobrinho do médico, não se manifestou no processo. Direito sucessório e falta de interesse de outro herdeiro Andreas Von Richthofen, irmão de Suzane Fantástico Pela lei de sucessão, a herança precisa ser administrada por um parente vivo. Como Miguel morreu solteiro, sem filhos, sem irmãos e sem testamento, a legislação prevê que os sobrinhos assumam o inventário. Com Andreas silencioso, restou apenas Suzane como interessada. “Os documentos indicam a existência de somente um outro herdeiro, o sobrinho A.V.R., que não se habilitou nos autos até o momento. Neste quadro, impõe-se a nomeação da sobrinha habilitada ao cargo de inventariante”, escreveu a juíza. Ela também reforçou que o histórico criminal de Suzane não interfere nesse tipo de processo: “O histórico criminal da herdeira não tem relevância jurídica nestes autos. Considerada a falta de manifestação do outro herdeiro, ela é a única pessoa apta ao múnus.” Sem comprovação de união estável Miguel Netto e Carmem Magnani em foto que consta no processo no qual ela pede reconhecimento e dissolução de união estável com o primo Reprodução/Arquivo pessoal A magistrada também descartou, por ora, a possibilidade de Carmem ser nomeada inventariante. Segundo ela, a prima não comprovou união estável com Miguel dentro deste processo — a discussão ocorre em outra ação judicial ainda sem sentença. A juíza destacou divergências sobre o período alegado de relacionamento e lembrou que o próprio médico sempre negou que mantivesse vida conjugal com Carmem. Além disso, ressaltou que, mesmo sendo prima, Carmem é parente colateral de quarto grau e não herda antes dos sobrinhos, que são terceiro grau, conforme o artigo 1.840 do Código Civil. O que Suzane pode — e não pode — fazer como inventariante Suzane, que tirou o sobrenome Richthofen; Miguel Netto, seu tio; e Carmem Magnani, prima dele Reprodução/Luara Leimig/TV Vanguarda e Arquivo pessoal Ser inventariante é exercer uma função prevista em lei: administrar e preservar os bens de quem morreu até que a Justiça finalize a partilha. Na prática, Suzane passa a gerenciar os imóveis, contas e o carro do tio, sem poder vender, transferir ou usufruir de nada. Ela não se torna automaticamente herdeira, mas pode pleitear esse direito no processo. Enquanto isso, deverá prestar contas à Justiça de todos os atos praticados com o patrimônio. Defesa da prima vai recorrer Brasil, São Paulo, SP. 12/11/2002. Reprodução de foto da família Richthofen. Da esquerda para a direita: Suzane von Richthofen, o irmão Andreas Albert von Richthofen e os pais Marísia von Richthofene e Manfred Albert von Richthofen Sérgio Castro/Estadão Conteúdo/Arquivo A defesa de Carmem afirmou ao g1 que irá recorrer, alegando que a decisão saiu antes do fim do prazo — que vai até 10 de fevereiro — para a apresentação de documentos que, segundo ela, comprovariam a união estável. O g1 tenta contato com a defesa de Suzane. A advogada de Andreas informou anteriormente que nem ela nem o cliente comentariam o caso. Carmem e Suzane tinham relação conflituosa com Miguel. A prima diz ter sido companheira do médico, o que ele negou repetidamente. Suzane, por sua vez, participou do assassinato da irmã dele, Marísia, e do marido dela, Manfred, em 2002. Miguel chegou a ser tutor de Andreas após o crime, mas os dois romperam. O médico também havia acionado a Justiça para impedir Suzane de receber a herança dos pais — em 2015, ela foi declarada indigna, e os R$ 10 milhões ficaram apenas com Andreas. Acusação de retirada de bens À esquerda, portão do sobrado onde Miguel Netto morava e foi encontrado morto; à direita, sala do apartamento onde sua prima, Carmem Magnani, morou Reprodução/Google Maps/Arquivo pessoal Nesta semana, Carmem registrou boletim de ocorrência acusando Suzane de retirar, sem autorização judicial, um carro, uma máquina de lavar, um sofá e uma cadeira da residência de Miguel. Documentos e dinheiro também teriam desaparecido. A Polícia Civil apura se houve invasão e furto. A morte do médico ainda está sob investigação — peritos trabalham com a hipótese de infarto, mas o caso segue classificado como suspeito. Carmem conseguiu liberar o corpo e realizar o sepultamento no interior paulista. Suzane tentou fazer o mesmo na delegacia, mas chegou depois e não foi autorizada. PL pode atingir Suzane Suzane von Richthofen deixando a penitenciária feminina de Tremembé, no interior de São Paulo, em 11 de outubro do ano passado Marcelo Goncalves/Sigmapress/Estadão Paralelamente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) apresentado pelo deputado federal Fernando Marangoni (União Brasil‑SP). A proposta altera o artigo 1.814 do Código Civil para impedir que herdeiros condenados por crimes dolosos contra parentes de até terceiro grau — como tios e sobrinhos — recebam herança. Se aprovado, o texto pode atingir diretamente Suzane na disputa pelo patrimônio deixado pelo tio. O caso Richthofen Relembre o caso Suzane von Richthofen, condenada por matar os pais em 2002 Há 23 anos, o engenheiro Manfred von Richthofen, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia, de 50, foram assassinados dentro de casa, no Campo Belo. A polícia descobriu que Suzane havia mandado o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, matarem o casal com barras de ferro. Os três tentaram simular latrocínio, mas confessaram e foram presos. Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos, e Cristian, a 38 anos. Suzane deixou a prisão em 2023, vive hoje em Bragança Paulista e adotou o nome Suzane Louise Magnani Muniz após se casar com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem tem um filho. Daniel saiu da prisão em 2018 e trabalha com customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e também atua com o irmão. Cristian, Daniel e Suzane von Richtofen, na época em que foram presos, em 2002 Reprodução/ Globo News

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/06/suzane-richthofen-por-que-justica-a-tornou-responsavel-por-patrimonio-de-r-5-milhoes-do-tio.ghtml


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