Segundo sambódromo do Brasil a receber desfiles fica no interior de SP e está interditado por risco estrutural

  • 13/02/2026
(Foto: Reprodução)
Sambódromo de Bauru foi o segundo a receber desfiles no país e está interditado desde 2019 Há 35 anos, Bauru, no interior de São Paulo, entrava para a história do carnaval brasileiro com a inauguração de um dos primeiros sambódromos do país. O sambódromo Guilberto Duarte Carrijo foi aberto em 8 de fevereiro de 1991, apenas sete dias depois do Sambódromo do Anhembi, na capital paulista. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Na prática, porém, o espaço bauruense foi o primeiro do estado a receber desfiles, já que a estrutura da capital só passou a ser utilizada oficialmente no ano seguinte. Até então, o Brasil contava apenas com a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, como passarela fixa para o espetáculo das escolas de samba. Há três anos interditado, Sambódromo de Bauru (SP) é um dos mais antigos do país Arquivo/Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural/Secretaria de Cultura Hoje, a estrutura no interior de São Paulo está interditada por causa de uma erosão e, há quatro anos, o carnaval de Bauru é realizado na Avenida Jorge Zaiden, como antes da construção do sambódromo, quando os desfiles aconteciam nas ruas da cidade. As avenidas Rodrigues Alves e Nações Unidas, além da Rua Batista de Carvalho, já foram palco da festa. Com o crescimento do público e das escolas de samba, surgiu a necessidade de um espaço fixo e estruturado para o evento. O sambódromo, que custou o que hoje seriam cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos, foi inaugurado com passarela, camarotes e arquibancadas permanentes. Dois dias depois da abertura, em 10 de fevereiro de 1991, o local já recebeu o primeiro desfile oficial. Construção do Sambódromo de Bauru (SP), inaugurado em 1991 Arquivo/Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural/Secretaria de Cultura Referência fora dos grandes centros urbanos, o sambódromo passou a atrair moradores de Bauru e de cidades da região, fortalecendo o carnaval local, sem a necessidade de deslocamento até capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Tanto que, em 1997, o desfile das escolas de samba de Bauru foi transmitido ao vivo pela Rede Globo Oeste Paulista, hoje TV TEM, para as cidades da área de cobertura da emissora. Assista abaixo. Rede Globo Oeste Paulista, hoje TV TEM, transmitiu ao vivo o carnaval de 1997 em Bauru Guilberto Duarte Carrijo O espaço recebeu o nome de Guilberto Duarte Carrijo, em homenagem a um dos principais responsáveis pelo fortalecimento do samba em Bauru. Guilberto esteve ligado à criação de escolas de samba e à organização do carnaval desde as décadas de 1950 e 1960, tornando-se uma referência cultural no município. Ele morreu em 1990, pouco antes da inauguração do espaço que eternizou seu nome. Sambódromo de Bauru (SP) foi inaugurado em 1991 Prefeitura de Bauru/Divulgação Quem viveu essa história de perto foi o filho dele, José Ricardo Carrijo, hoje diretor da Mocidade Unida da Vila Falcão e integrante do carnaval bauruense há mais de cinco décadas. "Para mim é uma emoção muito forte poder desfilar naquele local. Meus filhos, ainda pequenos, também desfilaram ali", recordou em entrevista ao g1. Para José Ricardo, mesmo com as mudanças no perfil do carnaval ao longo dos anos, o sambódromo sempre foi o espaço ideal para as escolas de samba. "Quando você pensa em escolas de samba, você tem toda uma estrutura de montagem e desmontagem dos carros alegóricos. Há melhores acomodações para o público, jurados e para quem organiza o carnaval", destaca. Com o crescimento da cidade, o carnaval também se transformou. Além dos desfiles tradicionais, surgiram os blocos de rua e festas privadas. "Hoje, como acontece nos grandes carnavais do país, surgiram alternativas, como os blocos de rua, com desfiles baseados na apresentação de um trio elétrico e foliões usando camisetas ou abadás", afirma o carnavalesco. Mesmo assim, ele reforça que as escolas de samba seguem como o coração cultural da festa. "As escolas continuam sendo a tradição mais forte do ponto de vista cultural, disputando um campeonato baseado em regras, com apresentação de fantasias, ala das baianas, bateria, comissão de frente e outros quesitos", explica. Interdição A história do sambódromo começou a mudar em março de 2019. Uma cratera com cerca de seis metros de profundidade e 40 metros de largura se abriu na pista lateral do Sambódromo de Bauru, levando parte da rede elétrica e da estrutura de um dos camarotes. Cratera 'engole' poste e parte do camarote do Sambódromo de Bauru (SP) Reprodução/TV TEM O problema foi provocado por fortes chuvas que atingiram a região nos últimos anos. Por conta do risco de novos deslizamentos, o espaço foi interditado pela Defesa Civil. Após uma reforma parcial, o carnaval de 2020 ainda ocorreu no local, com restrições, pouco antes do início da pandemia da Covid-19. Initial plugin text Em 2021, as celebrações foram canceladas. Já em 2022, blocos e escolas desfilaram de forma descentralizada pelos bairros. Para quem sempre viveu o carnaval dentro do sambódromo, a mudança foi sentida. "Desfilar fora do sambódromo é possível, mas não é o ideal. O espaço foi pensado para isso", afirma José Ricardo. Desde 2023, com a retomada do carnaval, os desfiles passaram a acontecer na Avenida Jorge Zaiden, que recebe arquibancadas montadas provisoriamente. Caranval de 2025, realizado na Avenida Jorge Zaiden, em Bauru (SP) Reprodução/TV TEM Este será o quarto ano consecutivo fora do Sambódromo Guilberto Carrijo e, mesmo com a adaptação, o desejo é de retorno. "O sambódromo, voltando a funcionar, o que a gente espera que aconteça o mais breve possível, vai dar melhores condições para termos um carnaval cada vez mais forte", finaliza José Ricardo. O que diz a prefeitura? Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura informou que foi contratado um projeto para a recuperação e revitalização da área do sambódromo. O trabalho está na fase final de elaboração, com o projeto executivo já entregue pela empresa responsável. Neste momento, a secretaria faz a revisão técnica do material, enquanto a contratada prepara a planilha orçamentária. Somente após a conclusão dessa etapa, com a definição do valor total das obras, será possível avançar no planejamento da execução. A continuidade do processo, segundo a prefeitura, depende da disponibilidade de dotação orçamentária, e o tema ainda será discutido com o gabinete da prefeita. Moradores e comerciantes de Bauru criticam desfiles na Avenida Jorge Zaiden *Colaborou sob supervisão de Mariana Bonora Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/02/13/sambodromo-de-bauru.ghtml


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