Prefeitura de SP diz que reajuste da tarifa de ônibus ficou abaixo da inflação dos últimos 5 anos e que não foi notificada ainda pela Justiça

  • 14/01/2026
(Foto: Reprodução)
Frota de ônibus da cidade de São Paulo e o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Montagem/g1/Divulgação/Secom/PMSP A Prefeitura de São Paulo reiterou na manhã desta quarta-feira (14), em nota, que o reajuste na tarifa de ônibus da cidade ficou abaixo da inflação dos últimos cinco anos e informou que ainda não foi notificada pela Justiça para explicar o aumento nas passagens. Em vigor desde 6 de janeiro, o valor do ônibus subiu de R$ 5 para R$ 5,30 - um reajuste de 6%. Em 2025, a inflação acumulada ficou em 4,26%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A prefeitura, no entanto, argumenta que a correção atual "representa menos da metade da inflação registrada nos últimos cinco anos" e que a passagem não teve qualquer aumento de 2020 a 2024. A decisão judicial que pede esclarecimentos à prefeitura atende a um pedido do Ministério Público (MP) em uma ação popular que questiona a legalidade do reajuste. O prazo dado pela Justiça é de 48 horas, mas só começa a contar a partir do momento que a prefeitura for notificada oficialmente. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "A correção atual da tarifa para R$ 5,30 representa menos da metade da inflação registrada nos últimos cinco anos. Vale lembrar que a passagem de ônibus não teve qualquer aumento entre 2020 e 2024. A última atualização ocorreu no ano passado, quando a tarifa passou para R$ 5. Na ocasião, o reajuste foi de 13,6%, enquanto a inflação acumulada no período foi de 40,31%. Sobre a decisão da Justiça, a Prefeitura informa que ainda não foi notificada", informa o comunicado da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) encaminhado às 9h50 desta quarta ao g1. Em sua decisão na terça-feira (13), o juiz Kenichi Koyama, da 15ª Vara da Fazenda Pública, concordou com o pedido do MP e determinou que o município seja intimado a prestar informações antes da análise de um pedido de liminar para suspender o aumento. A ação foi ajuizada pelo vereador Dheison Silva (PT-SP). Ele alega que o reajuste da tarifa foi realizado de forma ilegal e lesiva ao patrimônio público e à moralidade administrativa, pois teria sido formalizado por meio inadequado e sem a participação obrigatória do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte. No aspecto econômico, a ação sustenta que não haveria justificativa para um aumento real da tarifa acima da inflação. No parecer, a Promotoria informa ainda que, "diante da complexidade do caso e da necessidade da devida análise dos argumentos da parte autora, bem como dos motivos que ensejaram a prática do ato administrativo pela municipalidade, o Ministério Público opina que o Município de São Paulo e a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes sejam intimados a prestarem esclarecimentos, em prazo não superior a 48 horas". O reajuste Passageira usa seu bilhete único em ônibus de São Paulo Uriel Punk/Futura Press/Estadão Conteúdo O reajuste de 6% foi acertado em reunião na sede da Prefeitura de SP com a equipe de secretários que cuida diretamente do setor de transporte e mobilidade, além do orçamento da cidade. Em comunicado, a prefeitura justificou que o índice de reajuste está "abaixo do IPC-Fipe Transporte, dos últimos 12 meses (6,5%)". "Na gestão do prefeito Ricardo Nunes, o valor da passagem foi mantido em R$ 4,40 por cinco anos. De 2020 a 2025 houve uma única atualização na tarifa de ônibus, de 13,6%, para R$ 5. Já a inflação neste período foi de 40,31%, de acordo com o IPCA. A correção atual fica menos da metade do valor inflacionário desses 5 anos", informa trecho do comunicado. "Atualmente, a capital tem uma das menores tarifas da Região Metropolitana de São Paulo e uma das mais baratas do país, considerando também que o valor dá a possibilidade de o passageiro utilizar até quatro ônibus no período de três horas com o Bilhete Único. O novo valor da tarifa de ônibus será encaminhado à Câmara Municipal, seguindo o trâmite legal", continuou a prefeitura de SP. As tarifas de trens e Metrô também sofreram reajuste e passaram de R$ 5,20 para R$ 5,40, a partir de 6 de janeiro, segundo definição do governo de São Paulo (veja mais aqui). LEIA MAIS: Gestão Tarcísio autoriza reajuste das passagens de metrô e trens de R$ 5,20 para 5,40 a partir de 6 de janeiro em SP Custos do sistema Aumento dos custos do transporte público na capital paulista em 2025, até o mês de outubro. Reprodução A alta da tarifa já tinha sido sinalizada pelo prefeito no início de dezembro em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura (veja vídeo acima). Na ocasião, Nunes havia dito que precisava "manter o equilíbrio" das contas do transporte na cidade, uma vez que o subsídio municipal às empresas de ônibus já ultrapassou a marca dos R$ 6 bilhões em 2025. Conforme reportagem do g1 em 17 de dezembro, os custos das empresas para fazer o sistema municipal de ônibus funcionar subiram mais de R$ 492 milhões em 2025 até outubro. No mesmo período, a arrecadação da tarifa cresceu apenas R$ 410,3 milhões. Esse cenário obrigou a prefeitura a colocar mais dinheiro público no sistema, apesar do aumento da tarifa no ano passado, que saiu de R$ 4,40 para R$ 5,00. O aumento nas compensações tarifárias passou de R$ 81 milhões. O custo total do sistema em 2025 já soma R$ 10,34 bilhões, enquanto a arrecadação tarifária foi de apenas R$ 4,3 bilhões. O valor de R$ 6 bilhões de subsídios já é o maior da história da cidade, mesmo sem considerar os meses de novembro e dezembro. Outro fator que pressiona as tarifas para cima é a revisão quadrienal dos contratos com as empresas de ônibus, que promete deixar mais caros os custos do transporte da cidade em 2026 em pelo menos 9,88%, segundo estudo contratado pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT).

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/01/14/prefeitura-de-sp-diz-que-reajuste-da-tarifa-de-onibus-ficou-abaixo-da-inflacao-dos-ultimos-5-anos-e-que-nao-foi-notificada-ainda-pela-justica.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes